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Entendendo as CriptoMoedas

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Hoje em dia nosso sistema financeiro possui algumas características que deixam a desejar. Ele não é global, diferente regiões usam diferentes moedas e isso traz várias complicações. As transações não são privadas nem anônimas, suas transações expõem as partes envolvidas nas transações e a quantia transacionada. E por fim, nossa moeda local depende de uma única entidade central para controlar toos os aspectos da moeda, geralmente um banco central, representando um único ponto de falha e uma entidade que pode decidir o que quiser sobre o seu sofrido dinheiro.

Um exemplo interessante do malefício de uma entidade centralizada é um ataque de negação de serviço (DoS) , por exemplo, o que ocorreu com a WikiLeaks (https://wikileaks.org/), quando o banco que detinha a conta responsável por pagar os servidores congelou a conta do seu fundador (http://www.bbc.co.uk/news/world-11929034).

As criptomoedas vem, também, para cobrir essas necessidades que nosso sistema financeiro atual deixa em aberto.

A primeira e principal proposta delas é descentralizar a moeda, onde em vez de uma entidade central chancelando as transações, uma rede de usuários da moeda (mineradores) dedicam seu poder computacional para processar e validar transações que são guardadas uma atrás da outra em um arquivo chamado blockchain, equivalente a um livro de registro de transações.

Algumas das criptomoedas também garantem a privacidade e anonimato da transação, protegendo a identidade de ambos os lados e quantidade envolvida.

Por fim todas as moedas são consideradas globais, evitando casas de câmbio e suas taxas e complicações adicionais.

Mineração e economia

O legal é que as criptomoedas basicamente se resumem a isso, mas ainda assim é um sistema complexo.

Vamos aqui buscar propor e responder algumas questões que esclarecem diversos aspectos relacionado ao funcionamento do sistema distribuído e como as criptomoedas funcionam como verdadeiras moeda, ou seja, seu aspecto financeiro:

Como a rede de computadores (mineradores) decidem se uma transação é válida ou não? Eles não poderiam mentir?

A maioria dos sistemas distribuídos funcionam a partir de um consenso. Algo é tido como verdadeiro quando mais de 50% dos participantes entrarem em um consenso. Tendo isso em vista, para alguém ser capaz de inserir uma transação inválida, ele precisaria controlar mais da metade de todos os computadores da rede, isso também indica que a segurança de qualquer moeda depende fortemente de uma grande rede para que seja difícil um único individuo conseguir controlar ou fraudar o sistema.

Como que é o processo de validação de uma transação?

A partir do momento que um usuário sinaliza a intenção de efetivar uma transação a sua intenção é anexada a um bloco temporário de transações que eventualmente será transmitido para a rede. Essa rede processará o bloco validando ou não suas transações, entre outros detalhes, verificando saldos e existência dos endereços de destino e remetente e calculando um hash, (https://pt.wikipedia.org/wiki/Fun%C3%A7%C3%A3o_hash) do bloco. Quando todos da rede chegarem a uma reposta um consenso começa a ser avaliado e quando a rede chega ao consenso o bloco de transações é anexado ao blockchain, ou seja, o registro de todas as transações que já ocorreram desde o início da moeda.

Como os mineradores que fazem a rede funcionar são recompensados?

Todo consenso de bloco inclui uma transferência de certo valor da moeda (geralmente bem razoável) para o primeiro minerador que chegou ao consenso final.

Mas se apenas o primeiro minerador que chegou ao consenso é recompensado, o minerador com o hardware mais potente não seria sempre o ganhador e os mais modestos nunca ganhariam?

Não funciona bem assim. Para adicionar um fator de sorte, para ser mais justo e atrair mineradores mais modestos (hoje em dia da para minerar até por aplicativos de celular), as criptomoedas adicionam um fator chamado dificuldade. Isso faz o processamento do bloco demorar mais e adiciona um aspecto aleatório ao processo.

O fator dificuldade funciona assim: a cada novo bloco um padrão para o seu hash é definido, por exemplo, o hash final do bloco deve conter pelo menos quatro 1’s no seu formato hexadecimal. Considerando que dado uma entrada o hash é aleatório, os mineradores precisam anexar um nonce (https://pt.wikipedia.org/wiki/Nonce) ao bloco até que o nonce correto seja encontrado e o bloco + nonce tenha o hash correto. O primeiro minerador a achar o hash correto será o recompensado. Dessa forma a validação do bloco é bem mais lenta e um minerador mais modesto pode dar a sorte de achar o nonce nas primeiras tentativas. Mesmo assim, quanto mais tentativas por segundo (chamado H/s ou hashes por segundo) maior a sua chance de ser o primeiro a achar e maior suas chances de ser recompensado dado seu poder computacional, fazendo o processo ser mais justo.

Mas entre milhões de mineradores existe apenas uma pequena probabilidade de um deles ser recompensado. Isso não seria frustrante e arriscado?

Sem dúvida! Pensando nisso foram criados os pools. Que são conjuntos de mineradores que unem seu poder computacional e dividem os lucros entre si, de acordo com a sua contribuição em H/s para o bloco. A única condição existente é que nenhuma das pools ultrapasse mais de 50% da rede, pois elas poderiam passar a entrar em um consenso por elas mesmas.

E como é definido o valor da uma criptomoeda?

Como nas moedas convencionais, valor é algo complexo e consiste de muitas variáveis para ser definido. Nas criptomoedas diversos fatores levam ao seu valor final:

      • Inovação: quanto mais funcionalidades uma moeda oferece mais interessante ela passa a ser. Moedas baseadas no protocolo CryptoNote (https://pt.wikipedia.org/wiki/CryptoNote) por exemplo, possuem mais forte relação com a privacidade e anonimato na transação, passando a ser mais atraente que o próprio Bitcoin sob esse aspecto.
      • Adoção: quanto mais lugares e pessoas adotam a moeda como métodos de pagamento, maior sua utilidade no mundo real. Crescendo assim o interesse por determindada criptomoeda.
      • Proposta: o Ethereum é um exemplo de moeda que tem a proposta de funcionar como uma moeda para compra de poder computacional, através de contratos. Deixando portanto de ser um competidor direto do bitcoin e tornando-se provavelmente uma moeda que poderá coexistir com qualquer criptomoeda a ser adotada como moeda de uso mais genérico.
      • Oferta/Demanda: no final das contas o que dita o preço da maioria das coisas no nosso mundo capitalista é a relação da oferta e demanda. Qquanto maior a demanda e quanto menor a oferta de determinado produto (moedas inclusive), maior será o valor do produto. Isso não muda pra criptomoedas. E o que influencia na demanda são, principalmente, os fatores que citamos cima.

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